DISPLASIA
COXOFEMORAL
Autor: Dr.
Luis Carlos Medeiros Junior
Vetimagem
- Pompéia
Fone: (11) 3873-6740
Informações
Gerais Sobre Exame
Radiográfico
de Displasia Coxofemoral
Introdução
A displasia coxofemoral (DCF) tem-se
destacado ao longo dos anos como a patologia mais estudada pela medicina
veterinária ortopédica e disseminação congênita
através de vários genes (mais de 100) mais a relação
com a displasia de cotovelo são os temas dos estudos mais recentes
que se concentram nos cães, sendo que as pesquisas envolvendo gatos
representam apenas uma pequena parte destes estudos (Maki et al., 2000).
Histórico
Inicialmente descrita por Schnelle
em 1930 (Smith, 1997), a displasia coxofemoral (DCF) teve seus primeiros
estudos realizados em cães da raça Pastor Alemão,
sendo que 40% dos animais avaliados apresentavam a doença sendo
que até então acreditava-se que sua ocorrência em gatos
era rara (Schnelle 1954) .
Posteriormente demonstrou-se que
cães de pequeno porte, gatos e outras espécies como as chinchilas
também apresentam DCF (Riser, 1974).
A Articulação Displásica
Displasia
grave |
A
DCF é descrita como a má formação das estruturas
articulares com graus variáveis de luxação, afetando
machos e fêmeas em igual proporção podendo estar presente
em uma ou ambas articulações (Henricson et al., 1966).
É causada por um fator poligênico
recessivo (Montgomery, 2000) com lesões agravadas por fatores ambientais
desfavoráveis como terrenos em declive e pisos lisos. O excesso
de exercícios com sobrecarga muscular também contribui para
o agravo dos sintomas (Bennett e May, 1995).
A displasia é uma doença
genética que causa degeneração das estruturas articulares
gerando graus diversos de artrite e artrose o que causa
uma grande
sensibilidade dolorosa
e devido à luxação |
que ocorre em graus variáveis,
o animal pode chegar a ficar completamente paralisado.
O primeiro passo para o desenvolvimento
da artrite é uma lesão na cartilagem articular devido a uma
anormalidade biomecânica por um desenvolvimento defeituoso hereditário,
da articulação coxo-femoral.
Não é possível
prever quando um cão displásico começará a
apresentar sinais clínicos de claudicação devido à
dor. Existem muitos fatores ambientais com a ingestão excessiva
de alimentos calóricos, o nível de exercícios a que
o animal é submetido e o tipo de piso em que vive são fatores
que agravam a doença.
Exame Radiográfico
| A
incidência padrão, adotada pela OFFA, para o exame radiográfico
é a ventrodorsal com os membros paralelos entre si e em relação
a coluna vertebral, com rotação medial de forma que as patelas
se sobreponham aos sulcos trocleares (Kealy e Mcallister, 2000).
Para realização deste
exame é necessário o uso de sedação para proporcionar
ao animal um grau de relaxa- |
Posicionamento
|
mento muscular adequado, evitando assim,
um posicionamento incorreto (Sommer e Griecco, 1997).
Os animais avaliados devem ter idade
mínima de 24 meses e o grau de lesão é dado através
da avaliação morfológica das estruturas articulares
e da mensuração do índice de Norberg (Douglas e Willianson,
1975).
Os sinais radiográficos comuns
a todas as espécies são o raseamento acetabular, incongruência
entre a cabeça femoral e o acetábulo com graus variáveis
de luxação, deformação da cabeça e colo
femoral e sinais de artrose nos casos crônicos (Kolde, 1974).
Informações Gerais
A Orthopedic Foundation For Animals,
um instituição sem fins lucrativos, foi criada em 1966 para
padronizar o exame radiográfico das articulações coxofemorais
e de cotovelo. As radiografias avaliadas pela OFFA seguem o protocolo recomendado
pela associação Americana de Medicina Veterinária.
Esta análise é mundialmente aceita para detecção
de displasia coxofemoral e de cotovelo sendo a OFFA a única instituição
credenciada pela FCI para tal exame.
Existe uma tendência mundial
para que em qualquer competição ou exposição
internacional seja exigido que o animal seja submetido a sua análise.
Radiação e Segurança
O exame radiográfico não
apresenta riscos ao animal ou às pessoas envolvidas desde que sejam
seguidos as recomendações de proteção radiológica
adequadas.
Envio das Radiografias
Cálculo
de HD |
A
OFFA permite que médicos veterinários radiologistas de outros
países que sejam devidamente cadastrados, realizem o exame para
detecção da displasia coxofemoral. As radiografias devem
ser enviadas pelos proprietários junto com a taxa de US 30,00 cobrada
pela análise e o formulário de avaliação devidamente
preenchido.
Considerando-se que um exame de displasia
custa em média R$ 100,00 no Brasil mais as despesas de envio cobradas
pelo correio o custo médio total do procedimento é de aproximadamente
R$ 300,00. |
Visando minimizar ao máximo
a ocorrência da doença e tornar internacional o padrão
do exame radiográfico de displasia dos animais brasileiros, os proprietários
que submeterem as radiografias à avaliação da OFFA
diretamente pelo
Vetimagem – Unidade Pompéia
ficam isentos das taxas de envio cobradas pelo correio, pagando apenas
a realização do exame (R$ 100,00) e a taxa cobrada pela OFFA
(US$ 30,00) reduzindo o custo total do procedimento praticamente pela metade.
Um desconto especial é dado
àqueles criadores que trouxerem mais de um animal para a realização
do exame ou mesmo de uma ninhada inteira.
Maiores informações
podem ser obtidas pelo telefone (11) 3873-6740 ou por e-mail infooeste@vetimagem.com.br
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