Abertura do X Campeonato Brasileiro de Agility (décima edição).
Final de semana emburrado, sem frio, mas com chuva. Problema nenhum, no
Dog World temos grama sitética. Chove, cai o mundo, e cinco minutos
depois está tudo praticamente seco. Assim começa, nesse final
de semana, o terceiro mundial da dupla Samy e Chester.
Noruega, Finlândia e Áustria. Três mundiais seguidos
(2007/2008/2009). Não é nenhum feito histórico. Vale
dizer que muitas duplas estiveram em três mundiais seguidos, o ponto
chave, o "Q" da questão é que pouquíssimas foram na
condição de melhor dupla do Brasil. Em 2007 a colocação
não foi tão boa. O 9º lugar chegou. Porém nos
anos que seguiram um Bi-Campeonato garantiu a presença na seleção
e nos mundiais.
Chester faz jus ao rótulo "não tem border collie normal".
Na abertura do Brasileiro, por exemplo, fugiu duas vezes para procurar
Samy perto da pista. Na segunda tive o prazer de conduzir o exemplar pintado
da raça ao cercadinho. Daquele momento em diante passou a ser guardado
pela Carol, de perto.
Em 2007, dias antes do embarque, Chester deu um perdido fenomenal. Fugiu
do canil, desapareceu, um grande susto. A história de 2008 foi mais
triste e não menos louca. No dia do exame veterinário Chester
se atirou de um muro com cerca de 6 metros de altura. Mancando foi substituido
e não competiu. Esse ano não poderia passar em branco "arrebentou
a caixa e foi parar no meio da pista, durante a final do mini durante o
mundial, "sorte que não havia ninguém lá" conta Samy
que diz também "Vou sentir falta dessas histórias pra contar!!".
Agora vocês devem se perguntar "como assim sentir falta?".
Bom Chester já não é nenhum filhotão, é
a realidade, e a cada dia está mais perto a hora da aposentadoria.
"Batalhei muito para dar a melhor imagem ao Chester, não acho justo
perder isso." conta Samy, que não teve vida fácil com esse
Border Collie e tenta achar a hora certa de parar.
Antes de passar pro Grau 3, mais alto nível de excelência
dos cães no Brasil, empacaram no grau 2 durante um ano e meio. E
mesmo depois de figurarem entre as melhores duplas do Brasil os resultados
não apareceram. Nesse ponto Samuca, como carinhosamente é
chamado pela sua mãe, reconhece "como sou um cara muito imediatista,
na época um adolescente imediatista, várias vezes pensei
em desistir dele".
"Se não fosse meu pai eu não teria conquistado nada do
que conquistei com ele."
Dan teve um papel importante na história de Samy no Agility,
óbvio. Todos conhecem os dois. Samy é um cara calmo 99% do
tempo. Fala tão baixo e devagar que um surdo assumido como eu preciso
pedir "fala mais alto, por favor!". Contudo não é difícil
ver uma explosão depois de uma pista zerada ou de um erro. Somos
humanos, reconhecer isso é um grande passo.
Conhecendo o filho, que completou em julho de 2009 dez anos dentro do
esporte, Dan contornava os altos e baixos de Samy, induzindo-o pelos caminhos
que julgava corretos.
No mundial da Áustria Samy mostrou um bom poder de recuperação.
Terminou o Jumping individual Standard na 55ª posição.
Vou falar a verdade e a posição não foi boa.
"A minha maior dificuldade foi a modernidade, nunca escondi de ninguém
que pista boa para nós é pista aberta, o Chester tem uma
reta sensacional, mas por o outro lado não tem uma retomada das
melhores e, exatamente por isso, em pistas travadas nós perdemos
muito tempo. Porém no jumping individual ele fazia uma pista impecável
e eu errei no salto antes da casa, tenho certeza que ele faria o tempo
próximo ao do Magic, definitivamente e eu tirei isso dele."
No final da prova de Agility a dupla Samy e Chester estavam na 27ª
posição. Entre as 30 melhores do Mundo em 2009.
Bom deixo vocês agora com o agradecimento do Samy.
"Obrigado a todos que um dia torceram por nós, o Chestão
agradece e posso dizer, apesar de na Hungria ter um cão Chamado
Chester, a Perdigão é que está correta, “ Chester
tem um só” e é meu graças a Deus!!!"
Abraços
Fabiano Estigarribia