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Matéria sobre Displasia coxo-femural
Publicado:
14/08/2009
Displasia coxofemoral é uma enfermidade que consiste na má formação das articulações coxofemorais (mau encaixe da cabeça do fêmur com o osso do quadril) que leva a uma frouxidão nessa articulação. Num cão sadio, os ligamentos mantém os ossos unidos enquanto em cães displásicos há um espaço entre a cabeça do fêmur e o quadril. É uma doença que pode acometer todas as raças, mas tem maior incidência naquelas de grande porte e crescimento rápido. Estudos feitos em Border Collies nos Estados Unidos ( pela OFA), mostraram que 14% dos cães radiografados apresentam a doença. Como forma de comparar, em Pastores Belgas, este numero é de 2,9% e nos Pastores de Shetland de 5,6%, um sinal de que os Borders merecem atenção.

A transmissão ocorre de forma hereditária (dos pais para os filhotes), recessiva (um cão pode portar a doença nos seus genes, sem necessariamente demonstrá-la), intermitente (pode pular gerações e reaparecer depois) e poligênica (uma seqüência de genes determina a presença dela), tornando assim seu controle extremamente importante e sua completa eliminação muito difícil.

Cães com displasia podem ter vidas longas e normais, mas não devem, de forma alguma, serem utilizados para reprodução. Mesmo que um filhote seja normal, se seus pais são doentes, não deve ser reproduzido, já que futuramente, seus filhos podem apresentar a doença. Existem cães displásicos que não claudicam (um dos sintomas da doença) e que muitas vezes podem passar a vida assim. Mas não é porque eles aparentemente não sentem dor, que podem se tornar padreadores ou matrizes.

Fatores ambientais, como piso liso, sobrepeso, exercícios forçados e pesados em filhotes, podem levar a um aparecimento precoce de sintomas e agravamento da doença.

Em cães com displasia, é necessário fortalecer a musculatura da região e por isso alguns cães displásicos fazem Agility. O importante é a liberação e acompanhamento de um médico veterinário, e que o treino de Agility tenha qualidade e não quantidade.

O diagnóstico é feito a partir de análise radiográfica. O cão é sedado e colocado em posição decúbito-dorsal (barriga para cima e patas traseiras esticadas) e é feito o raio X. Este é então avaliado por um veterinário capacitado que dá um laudo, que no Brasil classifica os cães em A ( HD-), B(HD+/-), C(HD+), D(HD++), E(HD+++).



Os primeiros sintomas podem aparecer com o cão ainda filhote. Dificuldade para levantar, subir degraus e pular são comuns, assim como alguns podem correr como coelhos (levantando sempre os posteriores juntos, como se estivesse saltitando). Outros podem mancar com uma ou as duas patas, sobrecarregando a musculatura torácica e esta se torna desproporcional em comparação com a posterior.

É importante que todos os cães sejam radiografados depois dos 2 anos de idade, quando as placas de crescimento já se fecharam e o desenvolvimento ósseo está completo. Caso algum sintoma apareça, independente de idade, o raio-x deverá ser feito.

Mesmo um cão “pet”, castrado ou não, que o dono não vá reproduzir, deve ser radiografado, já que existem tratamentos conservativos. Este mau encaixe da articulação leva a um atrito excessivo entre os ossos, o que desgasta a cartilagem ocasionando artrose, uma situação muito dolorosa mas que estes tratamentos conseguem retardar o aparecimento. Há ainda alguns tipos de cirurgia que podem ser feitos para que o animal não sinta mais dor.

Na hora da compra do filhote, o futuro proprietário deve sempre pedir para ver os laudos e chapa de ambos os pais e se possível dos avós, mas vale ressaltar que, como a doença é intermitente, ainda com pais sadios, ela pode aparecer. Portanto, um proprietário cujo cão apresente displasia, deve sempre comunicar o fato ao criador, para que este possa tomar as medidas cabíveis e evitar que isso volte a acontecer em futuras ninhadas.

Gabriela Almeida

Revisão técnica: Fernanda Lesnau (Médica Veterinária)

Bibliografia:
www.offa.org
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