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Cores dos BC´s parte II
Publicado:
11/11/2008
Voltando a nossa matéria sobre as cores, falaremos sobre o gene de Diluição e o gene de Extensão, mais dois genes que aumentam a gama de possibilidades de cores para os Border Collies,

DILUIÇÃO – “D”

O gen ‘d’ é novamente recessivo e atua alterando levemente a forma do pigmento contido nas células do folículo do pêlo, afetando a pigmentação. O gen de diluição age na Eumelanina diluindo o preto em azul e o marrom em lilás.

Então: diluído (azul/lias) – dd (homozigoto diluído)
Portador do gen de diluição – Dd (heterozigoto não diluído)
Não portador do gen de diluição – DD (homozigoto não diluído)
Azul e branco / Azul Tricolor

Azul é a cor produzida quando o preto (BB ou Bb) é diluído. O gen de diluição é recessivo, exigindo assim duas cópias dele presentes no genótipo para que a cor seja diluída. Os dois pais devem ser portadores do gen da diluição para que ele se manifeste em uma ninhada. Caso dois cães diluídos sejam acasalados, só nascerão filhotes também diluídos.

Existe uma condição genética, relativamente rara, encontrada tanto em azuis quanto em lilases (também em outras raças, não só em BCs) conhecida como alopecia de diluição (diluição alopécica), que pode causar áreas de falta de pêlo pelo corpo e, particularmente, nas orelhas. É comumente pensado que a criação de diluídos x diluídos irá aumentar a incidência da alopecia de diluição, mas não houve nenhuma evidência que sustente esta tese. Um filhote azul, filho de pais pretos, tem a mesma probabilidade de sofrer desta doença como um filhote cujos progenitores são azuis. (Na verdade, os únicos cães que já vi com a doença, eram filhos de pais pretos). Ainda não existe muita certeza a respeito destes fatos.

Assim como no preto tricolor, também há a possibilidade de termos um cão Azul tricolor, mas os azuis tricolores também contam com a presença de dois genes de diluição. Um cão azul tricolor tem duas cópias de ambos, o de diluição e o tricolor. Lembrando que ambos os genes são recessivos.

Lilás e branco

Lilás é a cor produzida quando o marrom (bb) é diluído. Tanto o marrom quanto o gen de diluição são recessivos, portanto duas cópias de cada precisam estar presentes para que um cão apresente esta cor.

Assim como o marrom tricolor, mas com a presença adicional dos genes de diluição é o chamado lilás tricolor. Este tem duas cópias do marrom, do tricolor e do gene de diluição. Isso faz desta uma cor bastante rara, já que depende da presença de 3 pares de genes recessivos.

EXTENÇÃO – “E”

O gen de extensão é o responsável pela produção do vermelho verdadeiro (australian red , ee, golden red).

O gen de extensão controla a extensão de dois pigmentos no folículo do pêlo. ‘E’ é dominante e permite a extensão da eumelanina no pêlo , sendo assim o cão é marrom ou preto. ‘e’ é a forma recessiva do gen e permite a extensão da fenilalanina e previne a extensão da eumelanina, ou seja, não há presença de eumelanina no pigmento e o cão é vermelho verdadeiro. O vermelho é uma cor produzida a partir de um gen recessivo e assim o mesmo principio é aplicado, o cão deve ser homozigoto e receber um gen de cada um dos pais para apresentar a cor.

Então: vermelho (golden red, ee, australian red) – ee ( homozigoto vermelho)

Portador de vermelho – Ee ( heterozigoto não vermelho)

Não portador de vermelho – EE (homozigoto não vermelho)

O que é interessante sobre este gen, é que ele irá mascarar a cor verdadeira do cão. Você poderá ter cães pretos, marrons, azuis e lilases que irão aparentar serem vermelhos pela falta de eumelanina no folículo do pêlo causada pelo gen de extensão. Isto só afeta os folículos do pêlo e nenhuma outra pigmentação, então o nariz do cão e suas pálpebras irão revelar a cor escondida. Tem ainda um outro risco aqui... o gene merle não poderá se expressar nos cães vermelhos verdadeiros (lembre-se que o merle também atua na eumelanina), então é possível que filhotes vermelhos nascidos de um dos pais merle sejam na verdade merles e você simplesmente não possa ver. Não seja enganado por aqueles que dizem poder ver o merle em filhotes ‘ee’, pois isso é química e fisicamente impossível.

O risco está nestes filhotes serem inadivertidamente cruzados com cães merles, sendo assim um cruzamento merle x merle, e como já sabemos, poderá resultar no nascimento de filhotes com vários problemas. Os criadores responsáveis jamais cruzariam um cão vermelho com um merle.

Vermelho australiano / amarelo australiano

Normalmente chamado de dourado/amarelo ou vermelho australiano, esta cor conta com uma ampla variedade de tons. É mais um gen recessivo, assim duas cópias precisam estar presentes no genótipo do cão para que a cor se manifeste. Ambos os pais precisam ser portadores do gen para que, em uma ninhada, possa-se ter filhotes desta cor. No caso de um cruzamento amarelo x amarelo, todos os filhotes, obrigatoriamente, serão amarelos.

Tanto os genes tricolores quanto os merles não poderão se expressar nesta cor, portanto, fazer um cruzamento merle x amarelo (a não ser que você conheça muito bem e a fundo as linhagens) é loucura. Caso o merle carregue o gen amarelo, você provavelmente produzirá merles fantasmas.

AGOUTI – “A” e PRETO DOMINANTE – “K”

Este gen é responsável pela produção do sable, seal, padrão saddlesback e tricolor nos border collies. Existem multiplos alelos neste gen que ainda não são totalmente compreendidos, mas irei me concentrar nos que dizem respeito aos border collies.

ay – sable

at – marcação tan (cães tricolores não podem carregar sable)

Como já sabemos, cada individuo recebe duas cópias de cada gen, mas este não é tão importante quanto outros que já citamos aqui. Estes exibem dominância incompleta variável.

Geneticamente puro para sable (ay-ay) é normalmente um sable claro, enquanto heterozigoto (ay-at) possui um pouco de coloração mais escura na pelagem (sable sombreado). Esta é a dominância incompleta , onde uma cópia do gen recessivo, produz algum efeito.

ayay – sable claro
ayat – sable sombreado
atat – marcação tan

Mas... isso não termina aqui...existe um outro gen que efetivamente “liga e desliga “o gen agouti . É o chamado preto dominante e representado pelo “K”.

Acredita-se que TODOS os border collies tem os genes para sable e/ou para marcação tan, mas a habilidade de expressa-los e produzir estas cores não é determinada apenas pela sua presença e combinações como também pelo chamado gen preto dominante “K”.

KK – homozigoto dominante preto, não pode ser ou produzir sable/marcação tan independente do alelo ‘A’.

Kk – heterozigoto dominante preto, não pode ser sable ou tan mas pode produzir estes padrões e porta-los nos alelos ‘A’.

kk – homozigoto, irá exibir sable ou tan dependendo dos alelos ‘A’.

Conclusão:

KK atat- não são sable nem tan, não podem produzir sable ou tan mas podem passar os gens de marcação tan para os filhotes.

KK ayat - não são sable nem tan, não podem produzir sable ou tan mas podem passar os gens de marcação sable ou tan para os filhotes.

KK ayay - não são sable nem tan, não podem produzir sable ou tan mas podem passar os gens para sable para os filhotes.

Kk atat – portador de tan
Kk ayay – portador de sable
Kk ayat – portador de sable e tan

kk ayat – cor da pelagem sable sombreado (também portador de tan)
kk ayay – cor da pelagem sable claro
kk atat – pelagem de cor tan

Qualquer cor sólida pode apresentar padrão sable ou tan (preto, marrom, azul, lilás ) ; a pigmentação e açor dos olhos do cão normalmente revelam a cor base no caso dos sables. Porque o gen sable afeta a extensão da eumelanina (com efeito similar ao gen de extensão) no seu extremo (sable claro) o merle não será visível. Lembrando sempre que um cruzamento de sable com merle não é uma boa idéia.

A suposição feita por criadores de que as diferenças nos graus de sombreamento nos cães sable são determinadas pelo fato de serem homozigotos ou heterozigotos para ‘ay’, é agora sabido não ser tão precisa; Acredita-se que algumas destas muitas variações são causadas por outro gen (ainda não identificado). Testes de DNA para distinguir os alelos ‘A’ nos Shelties, Tervuren/Groenendael, e algumas outras raças é agora oferecido pela Healthgene baseado em recentes descobertas.

O gen agouti é complexo e também é responsável por uma boa quantidade de outros padrões nos border collies e outras raças de cães , como: padrão saddle, wolf, cinchilla e seal.

Sable e branco

Cada pêlo possui mais de uma cor/tom . Normalmente preto na base e vai clareando(terminando com um marrom claro na ponta). Sables são relativamente raros na raça, e mais uma vez, o gen merle e o tricolor não podem se expressar completamente. Então, como nos amarelos, não é uma boa escolha acasalar um cão sable com um merle, pois você pode produzir merles fantasmas.

Texto original retirado do site do Canil Bryning Border Collies, da Inglaterra. Agradeço imensamente a Natalie Holtappel por ter permitido a tradução e uso de algumas fotos. Thanks Nat!

http://www.bryningbordercollies.com/

Gabriela Almeida

Para conhecer mais sobre a genética dos Border Collies, veja a continuação da matéria nos links abaixo.

Red Merles brincando: Redy, Chelsea e Totó.
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